|
Meio ambiente
História do trânsito
Curiosidades
Se beber, não dirija
Saúde do condutor
Frases pára-choques
|
A
dinâmica do Atropelamento
A gravidade
dos atropelamentos mantém direta relação com as características físicas
e com a dinâmica dos corpos em conflito. O fato de a energia cinética
aumentar em proporção muito maior do que a velocidade, confere aos
atropelamentos conseqüências particulares severas dada a vulnerabilidade
de um corpo frente a um veículo.
No mais freqüente tipo de atropelamento, cerca de 80% dos
casos, o pedestre é atingido pela dianteira de um veículo. A idéia de
que em um atropelamento o veículo "passa por cima" do pedestre não
coincide com o que ocorre na maior parte dos casos. Situações em que o
carro passa por sobre o corpo do atropelado podem ocorrer em casos como
acidentes envolvendo ônibus ou caminhões.
|
Em choques com veículos comerciais (particularmente
veículos pesados), ASHTON observa uma maior incidência de contatos
laterais e traseiros, sendo graves as conseqüências nos choques em que
os pedestres, ao serem lançados ao solo, são esmagados pela(s) roda(s)
traseira(s) do veículo.
No entanto a dinâmica do atropelamento mais provável é
aquela em que o pedestre, após o choque com a frente de um veículo, rola
por sobre o capô e pára-brisa do carro que o atinge. O que ocorre após o
choque depende de uma série de fatores, dentre os quais a velocidade do
veículo e a altura do pedestre relativamente à frente do veículo e o
pára-choque.
O local do
contato inicial (normalmente, os membros inferiores) no choque contra o
veículo influencia a gravidade da lesão do pedestre.Estudos sobre lesões
de pedestres pelo INSURANCE INSTITUTE FOR HIGHWAY SAFETY, indicam
que praticamente todos os traumas e fraturas na região pélvica e nas
pernas dos pedestres são causados pelo contato com o veículo e não com o
pavimento.
Os contatos
com os pára-choques foram responsáveis por mais da metade (55%) das
lesões pesquisadas pelo IIHS, sendo o contato com a estrutura frontal
dos veículos acima do pára-choque responsável pela outra quase-metade
(42%) das lesões verificadas. Os levantamentos deste estudo também
revelam que fraturas de joelhos são mais prováveis quanto a altura dos
pára-choques está 1/4 ou 1/3 da altura dos pedestres.
A
probabilidade de lesões fatais é maior nos choques frontais do que nos
laterais.
Em choques
a velocidade acima de 60 km/h, o pedestre, em geral, rola por sobre a
dianteira do carro após o segundo contato (provavelmente o da cabeça)
contra o veículo, com o corpo dobrando-se e as pernas podendo atingir o
teto do habitáculo. Dado as forças aplicadas ao pedestre,
resultantes do choque, o corpo do pedestre é acelerado à velocidade do
veículo e, ocorrendo a frenagem (e este é, geralmente, o caso), o
pedestre prossegue na velocidade adquirida. Com a frenagem brusca, o
carro reduz sua velocidade em uma proporção maior que a do corpo do
pedestre. O pedestre é então, arremessado adiante do veículo em
desaceleração, antes de atingir o solo.
A
probabilidade do segundo contato ser o da cabeça contra o carro aumenta
na proporção direta da velocidade do impacto e inversamente em relação à
altura do veículo. A velocidade no impacto determina, também, o local do
carro em que ocorre o choque da cabeça. A partir de 50 km/h,
virtualmente todo pedestre sofrerá o choque da cabeça contra o veículo.
Em crianças
com idades abaixo de cinco anos BRISON J.Y. and STULGINSKAS, J.V apontam
a preponderância de lesões na cabeça e pescoço, a partir da explicação
provável da lesão se dar devido à altura da criança em relação aos
pára-choques dos veículos envolvidos. Segundo ASHTON, a criança é
atingida, geralmente, pelo pára-choque na parte mais alta dos membros
inferiores, e no torso pela dianteira do capô.
A percepção
de que quanto mais alta a velocidade do veículo, maior o dano imprimido
ao pedestre pode parecer por demais óbvia para demandar averiguação
científica. Ainda assim, tal relação tem tido vasta documentação na
literatura nas áreas de trânsito e transporte. O NATIONAL HIGHWAY
TRAFFIC SAFETY ADMINISTRATION (NHTSA) identificou mais de 600
referências consideradas relevantes, com o objetivo de reafirmar e
quantificar a relação velocidade do veículo-gravidade dos
atropelamentos. Dentre estes, destacam-se os estudos do FATAL ACCIDENT
REtoda PORT SYSTEM (FARS), que revelam tanto a relação direta da
mortalidade-velocidade quanto os efeitos em diferentes grupos etários,
demonstrando a extrema vulnerabilidade de pedestres acima de 65 anos de
idade. O DEPARTAMENT OF TRANSPORT TRAFFIC britânico comprova a relação
entre a velocidade do veículo no impacto e a grabvidade das lesões em
estudo que demonstra que:
a 32 km/h,
5% dos pedestres atingidos morrem, 65% sofrem lesões e 30% sobrevivem
ilesos;
a 48 km/h,
45% morrem, 50% sofrem lesões e 5% sobrevivem ilesos;
a 64 km/h,
85% morrem e os 15% restantes sofrem algum tipo de lesão.
Estes dados
assemelham-se aos de PASANEN, que estima em 5% a parcela de pedestres
que morreriam em atropelamentos a 32 km/h; 40% em choques a 48 km/h; 80%
em choques a 64 km/h e aproximadamente 100% em velocidades acima de 80
km/h.
Efeito de um atropelamento:
Uma pessoa atropelada a uma
velocidade de 60Km/h equivale a uma queda do 11º andar de um prédio, a
80Km/h do 20º andar e se for a 120Km/h como se fosse do 45º andar.
|