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A Primeira Estrada de Rodagem

Há milênios, os conquistadores já construíam caminhos que lhes permitiam um transporte com maior rapidez de pessoas e bens. Com o passar do tempo surgiu a necessidade de se construir estradas mais largas, com menos lombadas e menos curvas fechadas. Tudo isso acompanhado por veículos cada vez mais potentes, com mais conforto para os passageiros e com mais estabilidade. A construção de estradas, que teria sido essencial para a integração do Império Romano, só foi retomada sistematicamente no fim do século XVI. Em 1557, os franceses empregavam o trabalho compulsório dos camponeses feudais para fazer estradas cobertas de pedregulhos. As questões de drenagem e escoamento de água nas estradas, porém, só foram resolvidas no fim do século XVIII. Mesmo assim, em 1763 uma diligência transportando passageiros precisava de 14 dias para ir de Londres até a Escócia.

Uma das mais interessantes páginas da História do Brasil Colonial foi a implantação de uma estrada permanente entre Minas Gerais e o Rio de Janeiro. Em 1674, a expedição que seria o passo inicial para o povoamento do território mineiro. Criou então um caminho provisório para os bandeirantes, o que seria o "embrião" da União Indústria. Sete anos mais tarde, em 1681, o governador do Rio de Janeiro, Artur de Sá Menezes, incumbiu Garcia Rodrigues Paes, filho de Fernão Dias, da construção de um caminho permanente para as Minas Gerais do Cataguás, já que a viagem pelo caminho antigo levava cerca de 100 (cem) dias e, ainda, colocava os viajantes à mercê dos piratas que atuavam na baía de Angra dos Reis. Garcia Rodrigues Paes conseguiu diminuir o tempo da viagem para 25 dias, mas após seis anos de intensos trabalhos, encontrou-se com a saúde debilitada e com a fortuna esgotada. Ambas na dedicação àquele que viria a ser conhecido o Caminho Novo. Com isso, o encargo foi passado ao cunhado de Garcia Rodrigues Paes, Domingos Rodrigues da Fonseca, em 1704. Somente em 1709, contudo, o objetivo foi alcançado e a via possibilitava o trânsito regular de tropeiros

Em 1725, Bernardo Soares Proença traçou uma variante encurtando a jornada em 4 dias, o que facilitou mais ainda o eixo Rio/Minas e permitindo maior rapidez no trânsito das inúmeras riquezas extraídas naquela província mineira.  Entretanto, outros problemas surgiram e acabaram tornando-se grandes empecilhos para os deslocamentos dos transeuntes. O maior deles deu-se pelos salteadores, que ameaçavam e dizimavam grupos inteiros para roubar seus pertences. Até que entra em cena um ilustre personagem: Joaquim José da Silva Xavier, O Tiradentes, contribuindo com o policiamento intensivo pelo Caminho Novo. Contudo, o traçado e a sua manutenção eram ainda grandes obstáculos a serem superados.

 A origem dessa primeira Estrada de Rodagem do Brasil, maior obra de engenharia da América Latina em seu tempo, deu-se em 7 de agosto de 1852, quando o visionário Mariano Procópio obteve, graças ao decreto do governo Imperial nº 1.301, a autorização para a construção, melhoramento e conservação de duas linhas de estradas. O empreendimento considerado por muitos como impossível de ser realizado foi iniciado em 12 de abril de 1856, com a presença e o incentivo de D.Pedro II. A obra exigia, entretanto, aos engenheiros e operários, um esforço imensurável, já que a estrada era entrecortada por cursos d´água e pelas escarpas graníticas da serra do Taquaril. Mariano Procópio então, resolveu contratar profissionais alemães. Antonio Maria Bulhões, brasileiro, ficou responsável pelo trecho entre Petrópolis e Três Rios, enquanto o alemão Keller assumia a responsabilidade do trecho Três Rios a Juiz de Fora, na época Cidade do Paraibuna. A primeira estrada "macadamizada" do continente pode ser construída a 23 de julho de 1861. Nascia, assim, a Rodovia União Indústria, com 144 km de extensão, sendo 96 no Estado do Rio de Janeiro e 48 km em Minas Gerais. A Estrada União Indústria permitiu o desenvolvimento dessas duas regiões, proporcionando infra-estrutura adequada para o escoamento de produtos e mercadorias.

 Em 1867 contudo, a chegada da estrada de ferro à localidade de Três Rios marcou o início da decadência da União Indústria. Com relação a malha rodoviária, o governo conseguiu alcançar na década de 40, 423 km de rodovias pavimentadas. Nos anos 60, com exceção de Manaus e Belém todas as capitais estavam interligadas por rodovias federais.  Entretanto as consideradas grandes obras foram realizadas a partir de 1970, como a Transamazônica; Belém/Brasília e Ponte Presidente Costa e Silva. Hoje a malha rodoviária federal aproxima-se dos 54 mil quilômetros de rodovias pavimentadas. 

A primeira rodovia "Transoceânica" foi inaugurada recentemente, 15 de agosto de 2011, ligando o Brasil ao oceano Pacífico (Peru). Um fato que chamou a atenção foi  que desde a sua inauguração, carretas brasileiras, abarrotadas de milho do Mato Grosso, começaram a chegar a Puerto Maldonado (Peru). Comboios da MAN Latin America estão cruzando a Transoceânica, partindo de Resende/RJ, para abastecer o mercado de caminhões do Peru e Equador. Enquanto isso, o Peru já começou a exportar pedra para Rio Branco, no Acre. A extensão da rodovia é de 2.600 km sendo: 1.500 km no Brasil e no Peru 1.100 km. Na fronteira do Brasil com o Peru sobre o Rio Madre de Dios foi construída uma ponte de estrutura metálica da Billinghurst, com 722,9 metros de extensão e altura correspondente a um prédio de 25 andares. A Transoceânica é uma rodovia estreita, sinuosa, com inclinações até 45 graus, exigindo uma velocidade máxima de 40 km/h,  e remota o que aumenta os gastos com combustíveis, alimentação e manutenção dos veículos. Um outro fato é que a rodovia passa por dois grandes obstáculos da natureza: de um lado a Cordilheira dos Andes, onde o seu ponto mais alto chega a 4.735 m de altitude e a temperatura de 3 graus negativos dominado pelo branco da neve; Do outro lado, o verde predomina e o calor ultrapassa 32 graus, a apenas 300 m acima do nível do mar. O tempo aproximado que separa esses dois ecossistemas é de 3 hs. O maior trecho da estrada, batizada de Interoceânica Sul será explorado pela Odebrecht por 25 anos. São 710 km de asfalto que começa em Cuzco (Peru), passa por Porto Maldonado, na região de Madre de Dios, e chega a Assis Assis Brasil, no Acre. Os outros 305 km restantes são de responsabilidade da Andrade Gutierrez, Camargo Correia e Queiroz Galvão.

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