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É comum observarmos ao longo das rodovias, sejam elas administradas pela iniciativa privada ou pelos órgãos  governamentais, a presença de focos de incêndio principalmente no período da estiagem. Sabemos que na maioria das vezes essas violações são causados pela imprudência de condutores e ou passageiros de veículos automotores (carga, ônibus ou passeio) que por desleixo atiram pontas de cigarro acesas provocando muitas das vezes a queima da vegetação formando nuvens de fumaça prejudicando a visibilidade daqueles que por ali trafegam. Essas atitudes criminosas aumentam o risco para a possibilidade de ocorrer graves acidentes de trânsito.

Com relação ao assunto veja o que disse Edmar Viana de Freitas:

"Em retorno de férias da Bahia no mês de janeiro de 2010, ao presenciar vários focos de queimadas nas margens das rodovias, BR´s116, 381, 324 e outras por onde passei durante as férias, veio a ideia de fazer uma pesquisa sobre as causas de tantas queimadas nas beiras das estradas.

Então, foi decidido aplicar uma metodologia de análise de falhas utilizada em sistemas de máquinas para desenvolvimento do assunto. Foi considerada nesse estudo a queimada como uma falha no eco-sistema.

 

 Feito um levantamento do número de ocorrências, nos últimos cinco anos, e identificado que a Bahia é campeã em números de focos nestes anos, no período de janeiro e fevereiro, meses atípicos às queimadas. Por que a Bahia é a campeã? Porque é o elo entre o sudeste e o nordeste do País em que as rodovias BR-116 e BR-101 possuem alto índice de caminhões transportando inúmeras cargas.

 

Considerando o triângulo do fogo e o quarto elemento que é o tetraedro do fogo, aquele que dá continuidade à chama, resultando o capim seco nas margens das rodovias como tetraedro do fogo.Foi correlacionado o funcionamento do motor diesel e o capim seco das estradas. O motor gera o subproduto conhecido por fuligem que é causada por queima irregular do combustível por motivos diversos. A fuligem pode ser aumentada em volume devido à qualidade do diesel consumido no Brasil, que é considerado de bom padrão, conforme a Agencia Nacional do Petróleo (ANP), porém passível de contaminação por água em armazenagem e transporte. A água, por sua vez, em reação com o enxofre presente na formulação do produto, que no caso do diesel interiorano chega até 0,35% do composto, gera quimicamente o ácido sulfúrico, que é altamente corrosivo. Isso propicia desgaste nos componentes internos do motor, que por sua vez causa uma queima irregular, aumentando a taxa de fuligem no escapamento. A fuligem acumula nos tubos do escapamento formando uma camada que ocasionalmente se desplacam, em conseqüência de vibrações oriundas do sistema do caminhão e até mesmo de depressões na pista de rodagem.  Outro fator relevante é a temperatura no processo de queima do combustível no motor que chega aproximadamente a 800ºC, em que a fuligem sai às vezes incandescente com temperatura na faixa de 400ºC, sendo o suficiente para promover a chama no capim seco.Os ônibus e caminhões, que hoje circulam no País, possuem a saída do escapamento direcionada para os lados direito, esquerdo, para baixo e raramente para cima. A saída da descarga para o lado direito propicia o início da queimada no lado direito da pista, quando o caminhão aproxima do acostamento e a saída para a esquerda propicia a queimada no lado esquerdo da estrada, quando o caminhão faz uma ultrapassagem nas retas. Os focos acontecem muitas das vezes próximos aos aclives e curvas das estradas. Estes pontos é o momento de solicitação máxima da potência do motor pelo motorista".

 

Objetivando colaborar com àqueles que desenvolvem suas atividades profissionais nas vias públicas, nas mais diversas funções,  mostraremos a seguir o conceito de fogo, as classes de incêndio, os tipos de agentes extintores e suas respectivas utilizações e manuseio, para que possam, se necessário, agirem de maneira eficaz combatendo e orientando os usuários em situações emergenciais.

Lembramos porém, que a melhor maneira de se combater um incêndio é discar 193 - Corpo de Bombeiros corporação que se encontra devidamente preparada para esse tipo de ocorrência.

O fogo apaga a vida.

Fogo

 É  o desenvolvimento simultâneo de calor e luz, produto da combustão de matérias inflamáveis, ou ainda, uma chama em combustão auto sustentada. É causado reações químicas resultantes da combinação de combustível, calor e oxigênio

Para um melhor entendimento sobre mostraremos algumas definições importantes ligadas ao tema:

Matéria:

Significa tudo aquilo que ocupa lugar no espaço, tem massa e pode de alguma forma ser medido. Como exemplos temos: madeira, gasolina, etc.

Chama:

É a mistura de gases incandescentes.

Combustão:

É uma reação química que requer energia (calor).

Um grande desprendimento de luz e calor e a presença de mais dois elementos químicos chamados combustível e comburente (ar) dá lugar ao fenômeno que chamamos combustão.

Inflamável:

Substância que pode pegar fogo.

Combustível:

É tudo aquilo que está sujeito a incendiar-se como seja: papel, madeira, estopa, gasolina, álcool, metano, hidrogênio, acetileno e outros.

Incêndio:

Fogo que se propaga com intensidade, destruindo e às vezes, causando sérios prejuízos.

Triângulo do Fogo

Relação entre os componentes do fogo:

Cada lado do triângulo representa um dos elementos necessários para o fogo. É também necessário que exista uma relação adequada entre ar (que pode ser expressa em % de combustível no ar), para a existência da combustão.

Na figura acima, observamos o seguinte:

A situação ótima "posição 1" (centro do triângulo é a melhor relação combustível/oxigênio, na qual com calor suficiente pode-se manter a combustão;

  • A "posição 2" tem combustível insuficiente;

  • A "posição 3" não tem oxigênio suficiente; e

  • A "posição 4" a fonte de calor é insuficiente.

O fogo pode ser extinto com a retirada de alguns destes três elementos (combustível, oxigênio, calor). Como é sempre difícil remover o combustível, dado a quantidade volumosa, removeremos o oxigênio através do abafamento e o calor através do resfriamento.

As concentrações de combustível e oxigênio devem ser suficientes para que ocorra a ignição e a manutenção da combustão. A energia inicial é cedida por uma fonte de ignição e posteriormente o calor da combustão alimenta a mesma.

Fontes de Ignição

 Para se inflamar,  todo material necessita que sua temperatura ultrapasse um limite próprio. O Aumento da temperatura pode ser obtido através do calor proveniente do atrito e da energia solar. Além dessas formas, o calor ou fonte de ignição, pode ser produzido das seguintes maneiras: palito de fósforo aceso, cigarro aceso, faísca de velas (automóveis), fios elétricos desencapados.

Calor:

O calor pode ser conceituado com forma de energia que transfere dum sistema  para outro por uma diferença de temperatura entre os dois.

O calor pode ser transmitido de três formas diferentes, como podemos ver  através dos métodos relacionados a seguir:

Método de condução: é o processo pelo qual o calor produzido pelas chamas se propaga de um compartimento a outro, inflamando os materiais nele contido, unicamente pela ação do calor exercido no compartimento anexo.

Método de irradiação: é o processo pelo qual o calor se transmite em todas as direções inflamando-se através das substâncias sólidas, líquidas e gasosas. É em virtude da irradiação que sentimos a presença do incêndio antes de vermos as suas chamas.

Método de convecção: a convecção tem origem pela transmissão do calor nos líquidos e nos gases, oriundos de fontes de calor que alimenta fluidos existentes nas proximidades de um incêndio. Depois de aquecidos podem ser levados a lugares afastados, vindo a provocar  novos incêndios nos combustíveis.

Princípio de Incêndio   

É o resultado de uma reação química (são processos pelos quais as substâncias se transformam em outras) que produz luz e calor.

Classificação de Incêndios - Os incêndios foram classificados de forma a facilitar a escolha fundamentada dos melhores métodos para combatê-los. 

A sua divisão foi estabelecida em quatro classes:

  • Incêndio classe "A"  - é o que ocorre em materiais que queimam em superfície e em profundidade, deixando resíduos. São materiais sólidos de fácil combustão, como: madeira, papelão, tecidos, fibras etc.

  • Incêndio classe "B"   - é o que ocorre nos líquidos inflamáveis, que queimam somente em superfície, não deixando resíduos, como: gasolina, tinta, querosene etc.

  • Incêndio classe "C"  -  é o que ocorre em materiais elétricos energizados, como eletrodomésticos, motores, etc.

  • Incêndio classe "D"  - é o que ocorre com materiais pirofóricos (podem queimar na temperatura ambiente na presença do ar), como: magnésio, titânio, lítio etc.

Extinção de Incêndios  

Os modos usados para apagar incêndios, de qualquer classe, são três:

  • Abafamento (falta de ar) - consiste na redução do percentual de oxigênio (comburente) que alimenta o fogo.

  • Resfriamento (baixar temperatura) - se processa com a redução gradativa do calor dos materiais que se consomem em chamas.

  • Isolamento (deixar só) - se consegue afastando todos os materiais daqueles que estiverem incendiando.

Extintores Portáteis  

São extintores que podem ser transportados manualmente, com massa total que não ultrapasse 20 kg.

Capacidade extintora  

Medida do poder de extinção de fogo, de um extintor, obtida em ensaio prático segundo normas específicas.

Identificação  dos Extintores Portáteis 

Para cada classe de incêndio há um símbolo de identificação de cor distinta, inscritos nos extintores portáteis, conforme segue:

  • Classe "A" - triângulo verde;

  • Classe "B" - quadrado vermelho;

  • Classe "C" - círculo azul;

  • Classe "D" - estrela amarela.

Agente Extintor  

Agente extintor, é o produto utilizado para extinção do fogo. O fogo e as explosões requerem combustíveis, ar (oxigênio) e uma fonte de ignição (calor). Em um incidente os dois primeiros momentos não são facilmente controláveis, conseqüentemente, quando se trabalha num local de risco de incêndio, deve-se monitorar a concentração de gases/vapores no ar eliminando toda e qualquer fonte de calor no local.

A seguir vamos mostrar os agentes extintores utilizados para cada tipo de incêndio; a maneira correta de manuseá-los, bem como as formas de extinção dos incêndios.

Extintor de água

Esse tipo de extintor é indicado para fogo de classe "A" (madeira, papel, tecido, fibras, etc), e se apresenta de duas formas:

  •  gás (ampola)

  •  pressurizado (com pressão interna).

Modo de operar:

a) extintor de água - gás (ampola):

  • inclinar o aparelho;

  • abrir a válvula de gás (ampola);

  • dirija o jato para a base do fogo.

b) extintor de água pressurizado:

  • retire o pino de segurança;

  • aperte o gatilho;

  • dirija o jato para a base do fogo.

Este tipo de extintor tem como forma de combater o fogo, o método de resfriamento.

Manutenção:

Para manutenção do extintor de água - gás (ampola), deve-se pesar a ampola e recarregá-la se o peso cair mais de 10%. Para o de água pressurizada observar sempre o manômetro (instrumento para medir pressão).

Cuidados especiais:

Não podemos esquecer que esse tipo de agente extintor é contra indicado para as outras classes de incêndio pelos seguintes motivos:

  • no da classe "B", aumenta a área de incêndio;

  • no da classe "C"; conduz eletricidade;

  • no da classe "D", provoca explosão.

Extintor de espuma 

É o tipo de agente extintor indicado para fogo de classe "B" (gasolina, óleo, querosene, tinta etc).

Modo de operação:

  • vire o aparelho com a tampa para baixo;

  • dirija o jato para a parede do recipiente.

Esse tipo de extintor combate o fogo pelos métodos de abafamento e resfriamento.

Além da sua utilização na classe "B", também pode ser indicado para classe "A", porém com aproveitamento apenas regular.

Manutenção:

Com relação a sua manutenção, deve ser recarregado anualmente.

Extintor de Pó Químico Seco (PQS)

É indicado para fogo classe "B" (gasolina, querosene, tinta, graxa, etc.) com ótimo aproveitamento.

  •  Pode ser usado, também, em fogo classe "C", com bom aproveitamento;

  •  em fogo classe "A" sem eficiência ou de aproveitamento regular, e finalmente

  •  em fogo classe "D", onde é considerado ineficaz.

Esse tipo de extintor se apresenta sob duas formas:

  • a pressurizar;

  • pressurizado.

Modo Operacional:

Para extintor PQS a pressurizar:

  • abrir a válvula de gás;

  • apertar o gatilho;

  • dirigir o jato para a base do fogo;

Para extintor PQS pressurizado:

  • retirar o pino de segurança;

  • apertar o gatilho;

  • dirigir o jato para a base do fogo.

O método usado para extinção do fogo por esse tipo de extintor é o abafamento.

Manutenção:

O sistema de manutenção é realizado observando-se o manômetro.

Cuidados especiais: Os cuidados na sua utilização são justificados pelos seguintes fatores:

  • ser corrosivo;

  • pode causar mau contato em equipamentos eletrônicos;

  • pode causar asfixia quando utilizado em ambiente fechado sem ventilação.

Extintor Pó Seco Especial

Esse tipo de agente extintor é indicado para fogo classe "D", materiais pirofóricos (podem queimar na temperatura ambiente na presença do ar), como magnésio, lítio etc.

  • Pode ser indicado também, para fogo da classe "C", com bom aproveitamento e,

  • Para as classes "A" e "B", sem grande eficiência.

Através do uso desse tipo de extintor, o fogo é combatido por isolamento.

Manutenção:

A sua manutenção é feita observando-se o manômetro.

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